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24 de abril de 2014

Copa do Mundo e Curitiba: Orna?

Vista da área VIP.
     Curitiba será palco de mais um espetáculo. Um dos maiores eventos mundiais, residirá na capital paranaense, pela segunda vez, já que na Copa de 1950, a Vila Capanema abrigou jogos de importantes seleções como Espanha e Estados Unidos, e ainda há quem diga que tal organização não é bem-vinda à cidade.
      Um evento desta magnitude projeta Curitiba para um patamar elevado, um patamar internacional. O valor desta visão, que poucos conhecem, é inestimável. Uma rara oportunidade de investimentos em infraestrutura e serviços, e principalmente em capacitação da mão-de-obra e de negócios.

A última visita

        A Arena da Baixada recebeu na última terça-feira (22), a avaliação final da FIFA para a entrega do Estádio para a Copa do Mundo de 2014. O Secretário Geral da entidade alertou a presidência do Atlético Paranaense de que é preciso agilidade para a conclusão da obra, mas demonstrou-se otimista com o que viu.
Fachada da Brasílio Itiberê.
        Em muitos momentos da coletiva de imprensa concedida, após a avaliação no estádio, os ânimos se exaltaram, principalmente por parte do presidente atleticano, Mario Celso Petraglia, que inúmeras vezes respondia com rispidez às perguntas feitas, principalmente, ao ser questionado pela desaprovação dos paranaenses com a Copa do Mundo em Curitiba.

       Porém, o que mais se destacou em meio ao clima tenso predominante entre jornalistas e entrevistados, foi o Coordenador Geral da Copa do Mundo de Curitiba, Mario Celso Cunha, que com muito bom humor e otimismo, citou inúmeras vezes, as qualidades de ter uma Copa do Mundo em Curitiba.
A oportunidade de visitar a Arena da Baixada, pós reforma, para alguém que já a frequentou antigamente, traz uma experiência um tanto quanto inovadora. A sensação de estar fora do país é primordial, e ver o resultado é entender os motivos dos grandes, por terem escolhido Curitiba como sede, e com certeza, a coletiva da última visita mostrou exatamente isso nos olhos e ânimos dos representantes.


Opinião do torcedor

Apesar de os grandes mostrarem otimismo com a Copa, alguns torcedores – e cidadãos paranaenses – ainda mostram opiniões dividas à chegada deste evento no Paraná.

Lateral do prédio anexo para a imprensa.

Ter Curitiba como uma cidade-sede é importante para o setor de turismo, para as oportunidades de negócio que podem ser criadas, também tem a questão dos investimentos que a cidade recebe. Só que também tem o lado ruim, que é mostrar a fragilidade em certos pontos, como segurança, infraestrutura, superfaturamento em obras.”
Frederico Silvério é morador de Londrina, cidade que deverá ser a casa da seleção chilena, durante a Copa do Mundo.




“Sinceramente, acho que já não faz mais diferença ser favorável ou contra. Mas sendo franco, acho que caímos no conto do vigário e nem é pela obra do Atlético. Venderam uma ideia de que a Copa seria a resolução dos nossos problemas de mobilidade. Essa teve tudo pra ser a Copa da mobilidade, mas o problema é que foi apenas um blefe. Na Copa da África do Sul também houve problemas (não tão dramáticos, é bem verdade) com a entrega das obras e isso tem um propósito, atrasa-se a entrega de estádio, de obras de mobilidade urbana, simplesmente porque com pressa, é possível passar por cima da legislação. Então não precisa entregar licença ambiental, não precisa fazer licitação (aí posso indicar alguém - algum irmão - pra executar o trabalho) geralmente mais caro.
E este é o problema, não podemos aceitar que seja coincidência que todas as sedes tenham problemas com atraso. TODAS, não têm exceção. As próprias sedes da Copa das Confederações terminaram em cima do laço.

Se não houvesse Copa das Confederações, me arrisco a dizer que terminaríamos todos os estádios agora. Tem mais coisas nesse negócio. Por exemplo, a Copa é uma ótima oportunidade para legitimar políticas discriminatórias contra as classes mais populares, medid
Fundos da Getúlio Vargas.
as como essas UPPs no Rio são aceitas, por conta do temor que os bandidos ataquem os turistas e assim surgem casos como o do Amarildo, que não era bandido e que "sumiu" porque há no país, legitimidade para matar pobre, negro e favelado. Além disso, tem o problema das relocações forçadas, por exemplo, o cara vai construir uma terceira pista no aeroporto Afonso Pena e retira as famílias que estava a 20 anos morando lá, observe que aquele pessoal do lado da Arena (que foi desapropriado) recebeu a grana direitinho, porque eles têm dinheiro, mas a população dessas áreas marginais está tendo sérios problemas para trocar de casa.”
Hendryo André é professor universitário e mora em Curitiba, cidade sede da Copa do Mundo de 2014.


Agora o que nos resta é aguardar o inicio deste evento monumental, e avaliar, posteriormente, as opiniões públicas. 


Evellyn Heloise